Exonerados nove gestores da Central de Medicamentos

O Ministro da Saúde, Ussene Isse, exonerou nove gestores da Central de Medicamentos e Artigos Médicos (CMAM) com o objetivo de dar um novo rumo à gestão e distribuição de fármacos no país. Esta medida surge num contexto de crescente preocupação com a escassez de medicamentos e artigos médicos nas unidades sanitárias moçambicanas.

A decisão ministerial é uma resposta às inúmeras queixas sobre a falta de material essencial em hospitais e centros de saúde. Exemplos chocantes incluem o Hospital Geral José Macamo, onde utentes grávidas são, por vezes, solicitadas a levar as suas próprias luvas, e o Hospital Distrital da Manhiça, que enfrentou a paragem de blocos operatórios devido à ausência de artigos básicos, como sabão. A situação, que afeta desde as grandes cidades até às zonas rurais como Chamanculo, Morrumbala ou Mogovolas, tem gerado grande insatisfação entre a população.

Para além da escassez, o sector tem sido abalado por casos de roubo de medicamentos destinados ao Serviço Nacional de Saúde, que acabam por ser vendidos no mercado informal. Um dos episódios mais recentes e alarmantes foi o desaparecimento de 864 mil antimaláricos de um depósito na Matola, província de Maputo. Soma-se a isto o problema de grandes quantidades de medicamentos que expiram em determinados armazéns, enquanto noutras partes do país nunca chegam aos pacientes que deles necessitam.
Reestruturação para a Mudança
É perante este cenário crítico que o Ministro Ussene Isse ordenou a cessação de funções de vários quadros de direção e chefia da CMAM. O objetivo principal é reforçar a eficiência, a transparência e o controlo de toda a cadeia de aquisição, armazenamento e distribuição de medicamentos e produtos de saúde em Moçambique.
Com esta reestruturação, o Ministério da Saúde pretende fortalecer a boa governação do sistema público de abastecimento farmacêutico e, crucialmente, resgatar a confiança dos utentes, parceiros e todos os agentes envolvidos no setor. As mudanças abrangem diversas áreas operacionais e administrativas da CMAM, consideradas centrais para assegurar que os medicamentos cheguem a quem precisa, de forma eficaz e responsável.



