Esquemas de corrupção na LAM envolveram EUA, Turquia e África do Sul

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) estão novamente no centro das atenções, após a decisão do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo (TJCM) de aplicar prisão preventiva a quatro dos seus gestores. Esta medida surge no âmbito de investigações a alegados esquemas de corrupção que terão lesado a companhia aérea estatal.

Gestores Detidos e Suspeitas
Entre os detidos encontram-se figuras conhecidas da gestão da LAM, como João Pó Jorge, antigo diretor-geral, Hilário Tembe, ex-administrador operacional, Eugénio Mulhunga, responsável pela segurança, e Armindo Svangana, antigo diretor financeiro. As suspeitas apontam para um complexo esquema de desvio de fundos e contratações fraudulentas.

Conexões Internacionais na Teia da Corrupção
A investigação, revelada pelo jornal Savana, indica que parte significativa dos esquemas de corrupção se estendeu para além das fronteiras moçambicanas, envolvendo empresas e contratos associados aos Estados Unidos da América, Turquia e África do Sul. Esta dimensão internacional sugere uma rede bem articulada para a alegada drenagem de verbas.
Os investigadores concentram-se principalmente na contratação de serviços de catering e na aquisição de diversos equipamentos de bordo, como talheres, copos, pratos, uniformes e fitas de bagagem. Suspeita-se que estes contratos tenham sido inflacionados, com preços especulativos, mesmo existindo alternativas mais económicas a nível nacional ou regional.
Papel de Empresas Estrangeiras e Contratos Sob Análise
Uma das frentes da investigação é a possível utilização de empresas estrangeiras para facilitar o desvio de dinheiro da LAM. Um exemplo citado é uma empresa alegadamente domiciliada nos Estados Unidos, que estaria ligada ao fornecimento de serviços de alimentação a bordo. Além disso, as relações contratuais com a consultora sul-africana Fly Modern Ark (FMA), que geriu a LAM em anos recentes, estão também sob escrutínio, com várias decisões operacionais tomadas nesse período a serem analisadas.
Contratos de manutenção e aluguer de aeronaves, incluindo modelos como o Boeing 737-500 e o Embraer 190, são igualmente objeto de análise detalhada. A LAM, apesar de ter registado alguns momentos de melhoria operacional, continua a debater-se com dívidas avultadas e sucessivas tentativas de reestruturação.
Investigação em Curso e Debate Público
As autoridades judiciais garantem que as investigações prosseguem ativamente, e não se descarta o surgimento de novos elementos à medida que o processo avança. Este caso reacende o debate público em Moçambique sobre a transparência e a boa governação nas empresas públicas, sublinhando a urgência de medidas robustas contra a corrupção.



