DISTRITO DA MANHIÇA: Centro de Saúde da Maragra sem água e energia eléctrica

O Centro de Saúde da Maragra, no distrito da Manhiça, província de Maputo, está a enfrentar sérios problemas desde o início do mês, operando sem água nem energia elétrica. Esta situação precária deve-se a um corte de energia na vizinha Açucareira da Maragra, que tem uma dívida avultada com a Electricidade de Moçambique (EDM).

Impacto nos Utentes e Serviços
A falta destes serviços básicos está a preocupar muito os moradores da região, pois impede o funcionamento normal das atividades do centro de saúde. Muitos serviços essenciais, que dependem da eletricidade, estão comprometidos. Além disso, a ausência de água torna quase impossível garantir a limpeza e a higiene, que são cruciais num ambiente de saúde.

Com o centro em dificuldades, muitos pacientes não têm outra opção senão viajar mais de dez quilómetros até à vila da Manhiça para receberem cuidados médicos. Esta deslocação representa um grande sacrifício, especialmente para pessoas doentes ou com mobilidade reduzida.
Governo Local Confirma, mas Desconhece Causas
Flezer Tomadote, diretor do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Ação Social da Manhiça, confirmou a situação. No entanto, ele afirmou que o governo local não foi notificado sobre as razões exatas do corte de energia na açucareira e, por isso, não sabe quando a situação será resolvida. “A fábrica sofreu corte de energia por questões administrativas, que não são do nosso conhecimento. Ainda não sabemos quais as razões, porque não fomos notificados”, explicou Tomadote, garantindo que a sua equipa vai procurar mais informações nos próximos dias.
Apesar de haver uma fonte alternativa de água, esta também depende da energia elétrica para funcionar, o que agrava ainda mais o problema. A estomatologia, por exemplo, ainda funciona, mas apenas durante o dia, aproveitando a luz solar. A água para o centro é recolhida em bidões e baldes nas casas dos vizinhos, que têm ajudado a manter o centro a funcionar.
Prejuízos e Contexto da Açucareira
A falta de eletricidade está a causar grandes prejuízos, principalmente na conservação de medicamentos e equipamentos. As vacinas, que precisam de refrigeração constante, já não podem ser guardadas na Maragra e são levadas para o centro de saúde da sede distrital da Manhiça, que é o mais próximo. Os trabalhadores do centro estão a fazer um esforço enorme para garantir que os serviços mínimos continuem.
Historicamente, a Maragra Açúcar, SA era responsável pelo pagamento das contas de água e eletricidade do centro de saúde local. Contudo, a empresa está atualmente encerrada. Desde as cheias de 2023, os campos de cana-de-açúcar ficaram inundados, o que levou à falta de matéria-prima e à paralisação da fábrica. A Açucareira da Maragra é detida em 99% pelo grupo sul-africano Illovo e em 1% por um investidor privado.



