Crédito em Moçambique mantém-se caro: Prime Rate fixa-se nos 15,50% para Abril

O custo do crédito em Moçambique continua a ser um peso para as famílias e empresas, com a taxa de referência, a Prime Rate, a fixar-se nos 15,50% para o mês de abril. Esta é uma realidade que mantém o país entre os que praticam as taxas de juro mais elevadas na região.

Entender a Prime Rate
A Prime Rate, que serve de base para o cálculo dos juros dos empréstimos, é o resultado da soma de dois componentes principais: o Indexante Único, de 9,30%, apurado pelo Banco de Moçambique, e o Prémio de Custo, de 6,20%, definido pela Associação Moçambicana de Bancos (AMB). É importante notar que, a estes 15,50%, cada banco ainda adiciona o seu próprio “spread”, o que faz com que a taxa final paga pelos clientes seja ainda maior.

O Indexante Único reflete o custo médio do dinheiro no mercado interbancário, ou seja, o preço a que os bancos emprestam dinheiro entre si. A taxa MIMO, um instrumento crucial da política monetária do Banco de Moçambique, permanece inalterada em 9,25%, influenciando indiretamente estes valores.
Grandes Variações nos Spreads
As diferenças nos spreads, a margem de lucro de cada banco, são significativas e dependem do tipo de crédito e da instituição. No crédito à habitação, por exemplo, o Standard Bank e o Nedbank mostram-se mais competitivos, com spreads de 1,00% e 2,50%, respetivamente. Já o Vista Bank e o First Capital Bank praticam margens de 6,00%, elevando a taxa efetiva para mais de 21,50%.
Para o crédito ao consumo, a disparidade é ainda maior. O First Capital Bank aplica um spread de 12,00%, enquanto bancos como o BCI e o MBIM operam com margens entre 1,20% e 4,50%. No segmento de crédito a empresas de curto prazo, o ABSA oferece uma das margens mais baixas (3,00%), ao passo que o Access Bank e o FNB fixam-se nos 5,00%.
O Cenário Desafiador das Microfinanças
O setor das microfinanças apresenta os custos mais elevados. Instituições como a MyBucks Mozambique e a Socremo chegam a aplicar spreads de consumo de 45,35% e 44,40%, respetivamente, para empréstimos de curto prazo. Mesmo a opção mais “acessível” neste segmento, o Banco Letshego, com um spread de 13,90%, resulta numa taxa efetiva que ronda os 30% quando somada à Prime Rate. Esta situação torna o acesso ao financiamento para pequenos negócios e indivíduos com menos garantias particularmente difícil.
Requisitos Rígidos para Acesso ao Crédito
Para além do custo, o acesso ao crédito em Moçambique é marcado por requisitos bastante rigorosos. Clientes particulares precisam ter uma conta bancária há pelo menos seis meses, não ter incidentes registados na Central de Registos de Crédito do Banco de Moçambique e apresentar uma livrança em branco. Empresas, por sua vez, devem fornecer documentação financeira auditada dos últimos três anos.
É importante realçar que os spreads divulgados são apenas indicativos. As instituições financeiras reservam-se o direito de ajustar as condições de crédito com base no perfil de risco de cada cliente, no seu histórico de crédito e em eventuais acordos pré-existentes.

