Bélgica ordena julgamento do último indiciado vivo pelo assassinato de Patrice Lumumba há 65 anos

Um tribunal na Bélgica deu luz verde para o julgamento de um antigo diplomata de 93 anos, Etienne Davignon, por alegado envolvimento no assassinato de Patrice Lumumba, o primeiro-ministro do Congo (actual República Democrática do Congo) em 1961. Esta decisão judicial, que surge 65 anos após o trágico evento, marca um momento crucial na busca por justiça para uma das figuras mais emblemáticas da história africana.

O Legado de Lumumba e as Acusações
Patrice Lumumba foi uma figura central na luta pela independência do Congo e o seu primeiro líder eleito democraticamente. O seu assassinato, em circunstâncias brutais, é um capítulo sombrio na história colonial e pós-colonial africana, com alegações de envolvimento de potências estrangeiras, incluindo a Bélgica.

Etienne Davignon, que na altura era um jovem diplomata em formação, é acusado de participação na detenção ilegal, transferência e tratamento degradante de Lumumba. Posteriormente, Davignon ascenderia a posições de destaque na política europeia, incluindo a de vice-presidente da Comissão Europeia.
O Último Sobrevivente em Julgamento
Dos dez cidadãos belgas inicialmente acusados num processo criminal movido pela família de Lumumba em 2011, Davignon é o único ainda vivo. A sua presença no tribunal representa a última oportunidade para que a justiça se pronuncie sobre as responsabilidades belgas na morte de Lumumba, oferecendo uma possível conclusão para um mistério que perdura há décadas.
A história da morte de Lumumba é particularmente chocante: após ser executado por um pelotão de fuzilamento, o seu corpo foi dissolvido em ácido, um acto que sublinhou a brutalidade dos eventos da época. Este julgamento pode, finalmente, trazer alguma clareza e encerramento para a família de Lumumba e para a história do Congo.



