Saúde

As equações da manutenção de equipamentos médicos

A saúde em Moçambique enfrenta um desafio crescente: a constante avaria de equipamentos médicos essenciais. Esta situação não só compromete o diagnóstico e tratamento de pacientes em unidades como o Hospital Central de Maputo (HCM), mas também expõe a falta de manutenção preventiva e a escassez de recursos humanos e infraestruturas adequadas.

Equipamentos Cruciais Parados

No Serviço de Radioterapia do Departamento de Oncologia do HCM, a máquina principal está inoperacional desde dezembro, deixando doentes oncológicos com tratamentos interrompidos e o seu quadro clínico a agravar-se. Não é a primeira vez que isto acontece; num passado recente, o mesmo equipamento ficou parado por cerca de 15 meses. A aquisição e manutenção destes aparelhos, que muitas vezes exigem assistência técnica externa, representam um custo altíssimo para o setor.

A situação repete-se noutros departamentos. A Tomografia Computorizada (TC) do Serviço de Imagiologia do HCM, um dos dois aparelhos existentes, está avariada há cinco meses devido a oscilações da corrente elétrica, prejudicando a fluidez dos serviços. No Hospital Provincial de Nampula, o aparelho de ressonância magnética, vital para as regiões Centro e Norte do país, também parou de funcionar há dois meses, pela mesma razão de instabilidade elétrica.

Preocupados com o impacto, os responsáveis mantêm o equipamento de ressonância magnética do HCM sob vigilância 24 horas por dia. Isto porque, há pouco tempo, uma avaria provocada por picos de energia danificou componentes, exigindo a substituição de todo o sistema de alimentação. Além disso, o seu sistema de refrigeração depende de hélio-um, um composto líquido extremamente caro, importado dos Emirados Árabes Unidos. No bloco operatório do HCM, um intensificador de imagem, um dos três novos distribuídos no país, também se encontra danificado há um mês.

Causas das Avarias e Custos Elevados

Félix Pinto, responsável pela área de Meios Auxiliares de Diagnóstico Médico no Ministério da Saúde, aponta várias razões para estas falhas. A deficiente manutenção preventiva, a falta de profissionais qualificados para lidar com tecnologia de ponta e a incapacidade das instalações de saúde de acompanhar o desenvolvimento tecnológico dos equipamentos são fatores chave. A sobrecarga das infraestruturas e as sobretensões elétricas são causas frequentes de danos.

Os custos de reparação são exorbitantes. Um aparelho de ressonância magnética pode custar cerca de 22 milhões de Meticais para reparar, enquanto a Tomografia Computorizada do HCM exige cerca de dois milhões de Meticais. A manutenção anual do aparelho de radioterapia do HCM está estipulada em impressionantes 61 milhões de Meticais, um valor que reflete a complexidade da sua tecnologia nuclear e a sua vulnerabilidade às condições climáticas de Moçambique.

Estes números evidenciam a necessidade urgente de investimentos em infraestruturas elétricas mais robustas, programas de manutenção preventiva eficazes e formação de técnicos especializados para garantir que os equipamentos que salvam vidas estejam sempre operacionais e disponíveis para a população moçambicana.

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