ANAC procura parceiro para co-gestão das Primeiras e Segundas Ilhas localizadas em Nampula e Zambézia

A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) está à procura de um parceiro estratégico para a co-gestão da Área de Proteção Ambiental Ilhas Primeiras e Segundas (APAIPS). Esta iniciativa visa garantir o desenvolvimento sustentável e o bem-estar das comunidades que vivem nas proximidades deste importante arquipélago moçambicano.

A Importância das Ilhas Primeiras e Segundas
A APAIPS é um tesouro natural de Moçambique, abrangendo um arquipélago de 10 ilhas, com uma extensão de mais de um milhão de hectares e cerca de 205 quilómetros de costa. Localizada nas províncias de Nampula e Zambézia, nos distritos de Angoche, Moma, Larde e Pebane, esta área é crucial para a biodiversidade marinha e para a subsistência de milhares de pessoas.

De acordo com Pejul Calenga, director-geral da ANAC, o objectivo principal desta busca por um parceiro é promover o desenvolvimento local e criar alternativas para que as comunidades possam usar os recursos de forma sustentável, melhorando a qualidade de vida das famílias. “Queremos que as famílias tenham uma vida melhor e que os recursos sejam usados sem acabar”, explicou Calenga, enfatizando a visão a longo prazo.
Parcerias para a Sustentabilidade
A necessidade de um parceiro robusto e comprometido foi sublinhada por Fidel Donovan, director nacional da WWF. Ele realça que a APAIPS precisa de uma entidade com visão, capacidade técnica, experiência comprovada e um forte espírito de colaboração. Donovan descreve este passo como “estratégico para fortalecer a gestão de uma das áreas marinhas mais importantes e ecologicamente únicas de Moçambique”, que alberga uma biodiversidade singular e sustenta meios de subsistência de milhares de pessoas.
Alexandra Jorge, directora de Programa da BIOFUND, manifestou a disponibilidade da sua organização para colaborar com o parceiro escolhido pela ANAC. O apoio da BIOFUND focar-se-á na captação de financiamento sustentável, beneficiando directamente as comunidades locais da APAIPS. Jorge destacou que as parcerias de co-gestão são fundamentais para construir capacidade nas áreas de conservação e garantir o apoio financeiro necessário, uma modalidade que tem mostrado bons resultados em Moçambique.
Bartolomeu Soto, representante dos Co-Gestores de Moçambique, reforçou a ideia de que a co-gestão é uma das melhores formas de desenvolver as áreas de conservação do país. Ele mencionou que os parceiros de co-gestão investem anualmente cerca de 5 milhões de dólares americanos nestas áreas, o que tem levado algumas delas a ganhar prémios, a atrair cientistas e a fomentar o turismo. “O futuro das áreas de conservação em Moçambique está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento de parcerias público-privadas”, concluiu Soto, sublinhando a importância da colaboração para o sucesso a longo prazo.

