Zelensky prepara eleições presidenciais e referendo ao acordo de paz com a Rússia

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, está a acelerar os preparativos para a realização de eleições presidenciais e, simultaneamente, pondera um referendo sobre um possível acordo de paz com a Rússia. Esta iniciativa surge sob forte pressão da Casa Branca para que Kiev conclua as negociações com Moscovo.

Um Pesadelo Logístico em Tempo de Guerra
A organização destas eleições apresenta um pesadelo logístico colossal. Com os ataques russos contínuos contra cidades e infraestruturas críticas ucranianas, as dificuldades para garantir um processo eleitoral justo e seguro só tendem a aumentar.

Milhões de cidadãos ucranianos foram deslocados devido ao conflito, e centenas de milhares estão mobilizados para o combate. Esta realidade torna a garantia do sufrágio universal uma tarefa quase impossível, o que poderá levantar sérias dúvidas sobre a legitimidade de qualquer votação.
Preocupações Internas e Prazos Apertados
Vitali Klitschko, presidente da Câmara de Kiev, expressou receios de que a “competição política durante uma guerra” possa “destruir o país a partir de dentro”, um cenário que, segundo ele, é desejado pela Rússia.
Uma especialista ouvida pelo “Financial Times”, Olha Aivazovska, presidente da organização OPORA, sublinha que não é realista pensar em eleições em menos de seis meses, considerando este o prazo mínimo necessário para uma organização minimamente credível.
O Papel da Rússia e os Desafios Legislativos
A Rússia, por sua vez, tem intensificado as suas incursões no leste da Ucrânia, procurando fortalecer a sua posição negocial. Sem um cessar-fogo oficial, Moscovo teria liberdade para perturbar o processo eleitoral com ataques e manipulação digital, práticas em que já demonstrou ser perita.
Para cumprir os prazos sugeridos pela Casa Branca, o Parlamento ucraniano terá de trabalhar intensamente nos próximos meses. Será necessário legislar para suspender a lei marcial ou criar exceções que permitam a realização de eleições em tempo de guerra.
Risco de Contestação e Não Reconhecimento
Uma votação com baixa participação e acesso limitado para todos os cidadãos seria, muito provavelmente, alvo de contestação interna e internacional. Existe um risco real de que Vladimir Putin, Presidente da Rússia, não reconheça os resultados, especialmente se estes não lhe forem favoráveis, adicionando mais uma camada de incerteza ao futuro da Ucrânia.

