ReGeCom treina técnicos para mapear biodiversidade nas comunidades

A Rede para Gestão Comunitária de Recursos Naturais de Moçambique (ReGeCom), em colaboração com o Centro Regional de Mapeamento de Recursos para o Desenvolvimento (RCMRD), está a capacitar técnicos no país para mapear a biodiversidade nas comunidades. Esta iniciativa é vital para que Moçambique contribua para as metas globais de conservação.

Esta formação insere-se na implementação da Meta 3 do Quadro Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, conhecida como “30 por 30”. Esta meta ambiciosa estabelece que, até 2030, pelo menos 30% das áreas terrestres, águas interiores, marinhas e costeiras do mundo devem ser conservadas e geridas eficazmente.

Contribuir para a Meta Global de Conservação
O Director Executivo da ReGeCom, José Monteiro, explicou que a iniciativa visa identificar áreas cruciais para o cumprimento da meta 30×30, bem como definir medidas de conservação eficazes. “Moçambique é vasto e rico em recursos, com muitas áreas de biodiversidade que ainda não foram mapeadas,” afirmou Monteiro. “Queremos contribuir para a sua identificação, pois podem ser decisivas para atingir a meta 30 por 30.” A ferramenta utilizada permite não só mapear estas zonas, mas também analisar o uso da terra para verificar a sua integridade e avaliar os níveis de desmatamento.
O Papel Crucial das Comunidades Locais
Monteiro sublinhou a importância de Moçambique desenvolver a capacidade de identificar novas áreas com potencial para conservação, ao mesmo tempo que se aproxima das comunidades nos processos de decisão. “Algumas áreas podem ser comunitárias, como as sagradas. Estamos a pensar para além de 2030. A capacidade de mapear não pode ser baseada numa meta. Queremos que as áreas de biodiversidade estejam disponíveis para todos”, frisou. O foco da ReGeCom é integrar as comunidades locais nas decisões sobre a terra e os recursos naturais, o que ajudará a identificar ameaças como o corte ilegal de madeira e, simultaneamente, oportunidades de investimento.
Parcerias Estratégicas e Objectivos da Formação
O evento de formação reuniu representantes de instituições governamentais de peso, organizações da sociedade civil e da academia, todos membros da ReGeCom. A União Europeia financia o Projecto RCOE-ESA (Centro Regional de Excelência para Gestão de Florestas, Biodiversidade e Ecossistemas Marinhos), implementado pelo RCMRD. Entre as entidades governamentais presentes, destacam-se a Direção Nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas (DNAMC), a Direção Nacional de Florestas e Fauna Bravia (DNFFB), a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), a Direção Nacional de Terras e Desenvolvimento Territorial (DNTDT), a Direção Nacional de Investimentos Estratégicos e Cooperação (DNIEC) e a Unidade de Monitoria Reporte e Verificação (MRV) do Ministério de Agricultura, Ambiente e Pescas.
O principal objetivo da formação é fortalecer as capacidades técnicas e institucionais no uso de ferramentas geoespaciais para a conservação da biodiversidade. Isto promoverá decisões baseadas em evidências e melhorará a governação e a partilha de dados ambientais em Moçambique, com um enfoque claro no engajamento comunitário na identificação e monitoramento da biodiversidade.
A ReGeCom, uma organização moçambicana, atua em parques nacionais como Maputo, Chimanimani, Magoé, e nas paisagens de Marromeu e Monte Mabu. Dedica-se à padronização de abordagens de engajamento comunitário e ao fortalecimento da governação comunitária dos recursos naturais, promovendo a conservação da biodiversidade e meios de vida sustentáveis através de parcerias estratégicas entre comunidades, Governo e sector privado.
