Profetas da desgraça nas televisões. É o apocalipse!

Em Moçambique, a proliferação de programas televisivos com “profetas” a protagonizar debates acalorados e por vezes desrespeitosos tem gerado preocupação. Um colunista do Jornal Domingo, sob o pseudónimo Bula-Bula, critica abertamente a forma como certas estações televisivas priorizam o espetáculo sensacionalista em detrimento da informação e formação, alertando para um possível “apocalipse” mediático.

Bula-Bula descreve um cenário onde, num painel religioso, os intervenientes trocavam insultos e profanações ruidosamente, com um moderador que parecia até acicatar os ânimos. Esta abordagem, segundo o autor, distorce o propósito da televisão, que deveria ser informar, formar e entreter, e o da religião, que é evangelizar e ensinar. A busca por audiência através de “pândegas mediáticas” leva a situações onde a dignidade do debate é posta de lado, fazendo com que o canal se considere o mais visto em Moçambique.

Preocupações com a Segurança do Estado
A crítica de Bula-Bula intensifica-se ao referir que um destes “profetas” fez uma predição grave, aludindo a questões sensíveis de Segurança de Estado e à integridade física do Chefe de Estado. O autor defende que tais alegações são perigosas e que os serviços de segurança, como o SERNIC e o SISE, deveriam intervir para que o autor da predição explique as suas “alucinações”. Esta situação levanta sérias questões sobre os limites da liberdade de expressão e a responsabilidade dos meios de comunicação.
Liberdade versus Libertinagem
Para o colunista, os órgãos de comunicação que veiculam este tipo de “sandices” e “insanidades” também são culpados. Ele sublinha que a liberdade de expressão não deve ser confundida com libertinagem ou depravação. É fundamental que os filtros regulamentares funcionem para evitar a disseminação de conteúdos que podem ser prejudiciais à sociedade ou à segurança nacional, pois infelizmente muitos confundem estes conceitos.
A Revisão da Legislação
Neste contexto, a notícia de que as leis de comunicação social e liberdade religiosa estão a ser revistas é vista com esperança. Bula-Bula espera que esta revisão ajude a pôr fim à “balbúrdia” que se assiste em algumas televisões moçambicanas. Caso contrário, alerta, o país poderá enfrentar um verdadeiro “apocalipse” de desinformação e caos mediático, vindo diretamente daquela que se diz a televisão mais vista de Moçambique.



