Moçambique tem um défice de 16 mil professores

Moçambique enfrenta um desafio significativo no setor da educação, com um défice alarmante de 16 mil professores em todo o país. A revelação foi feita pelo Ministério da Educação e Cultura (MINEC) no dia da abertura oficial do ano letivo, sublinhando a urgência de encontrar soluções para garantir a qualidade do ensino.

O Desafio da Contratação e Financiamento
Silvestre Dava, porta-voz do MINEC, reconheceu, em entrevista à Rádio Moçambique, que a falta de docentes é um dos principais obstáculos que a instituição enfrenta. Este problema é, em grande parte, atribuído à escassez de recursos financeiros que impedem a contratação em massa de novos profissionais.

Para o corrente ano, a capacidade financeira do MINEC permite a contratação de apenas 2.325 professores. Este número está muito aquém dos 18 mil professores necessários para preencher as vagas existentes em todo o sistema de ensino. Dos novos contratados, 1.903 serão direcionados para o ensino primário, enquanto apenas 422 irão reforçar o ensino secundário.
Impacto na Qualidade do Ensino
A carência de professores tem consequências diretas e negativas no processo de ensino e aprendizagem. Prevê-se que os professores existentes continuem a enfrentar uma sobrecarga de trabalho, com a mobilização de alunos para turnos adicionais ou segundas turmas, especialmente no ensino primário. No ensino secundário, muitos docentes terão de cumprir horas extras para tentar cobrir as necessidades.
Um dos impactos mais preocupantes são os rácios elevados de alunos por professor, que persistem em várias províncias. Em Nampula, Cabo Delgado, Zambézia e na província de Maputo, o rácio pode atingir até 70 alunos por professor, havendo mesmo situações em que um único professor é responsável por mais de 100 alunos. Esta realidade compromete seriamente a atenção individualizada e a eficácia pedagógica.
Abertura do Ano Letivo e Novas Infraestruturas
Apesar dos desafios, o ano letivo iniciou-se oficialmente em todo o país. O Presidente da República, Daniel Chapo, presidiu à cerimónia de abertura na cidade da Beira, província de Sofala. Na ocasião, o Chefe de Estado inaugurou a Escola Básica de Esturro, que se destaca como a maior de Moçambique. Adicionalmente, entregou a Escola Secundária da Manga, reabilitada e ampliada após os estragos causados pelo ciclone Idai, e inaugurou a Escola Secundária Geral no distrito de Nhamatanda, reforçando assim as infraestruturas educativas do país.



