Nutrição

Ministra reconhece desperdício de produtos nacionais de elevado valor nutricional

A Primeira-Ministra de Moçambique, Benvinda Levi, alertou para o desperdício de produtos agrícolas nacionais de alto valor nutricional que, apesar de serem cultivados localmente, não chegam à mesa das comunidades que os produzem. A governante defendeu a urgência de massificar a educação nutricional, começando pelas escolas e unidades de saúde, que são os pontos de contacto mais próximos da população.

A posição foi manifestada durante a abertura da VII Sessão Ordinária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSAN), realizada na cidade de Maputo. Benvinda Levi recordou que uma das orientações da sessão anterior era precisamente a articulação entre a educação nutricional e a produção local para garantir que os benefícios cheguem às comunidades.

Além disso, a Primeira-Ministra sublinhou a necessidade premente de tornar operacional o Sistema Nacional de Informação de Segurança Alimentar e Nutricional. Este sistema é crucial para recolher dados fiáveis e acessíveis, que são indispensáveis para um trabalho intersectorial eficaz e para a melhoria contínua da informação produzida sobre segurança alimentar e nutricional no país.

Avanços e Desafios nos Programas de Nutrição

A Secretária Executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), Judith Mussácula, apresentou dados sobre o período de Janeiro a Dezembro de 2025. Segundo ela, foi registada uma disponibilidade cumulativa de cerca de 57 mil toneladas de diversos produtos agrícolas, com 49 mil toneladas de milho destinadas a situações de emergência.

No que diz respeito ao Programa de Reabilitação Nutricional, Mussácula informou que 164.670 crianças foram admitidas. Destas, 74.260 (45%) sofriam de desnutrição aguda grave e 90.410 (55%) de desnutrição aguda moderada. É animador notar que aproximadamente 92% destas crianças evoluíram para a cura, um resultado positivo dos esforços em curso.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PRONAE) assegurou refeições diversificadas e equilibradas para 575.062 alunos em 1.042 escolas, o que representa uma cobertura de 8%. Em contextos de emergência, como nas províncias de Cabo Delgado (distritos de Macomia e Palma) e Sofala (distrito de Caia), mais de 19 mil alunos de 41 escolas receberam lanches mistos.

A formação de recursos humanos também foi um pilar importante. Foram capacitados 190 técnicos em estratégias transversais de Educação Alimentar e Nutricional, e mais de 400 técnicos responsáveis pela produção escolar receberam formação em técnicas de instalação e utilização de hortas pedagógicas. Como resultado, mais de 300 hortas foram implementadas em escolas beneficiárias do programa.

Judith Mussácula destacou ainda que os programas de assistência social apoiaram 578 mil beneficiários, alcançando 82,75% da meta. Estes programas são essenciais para promover a coesão social, restaurar a dignidade das famílias vulneráveis e fortalecer a resiliência das comunidades.

Para finalizar, é crucial reiterar que a segurança alimentar e nutricional é uma questão multifacetada que exige a colaboração e a conjugação de esforços de vários sectores do Governo, bem como de actores não-governamentais, incluindo a sociedade civil, o sector privado, a academia e os parceiros, em todos os níveis.

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