Mais mortes em novos ataques na Nigéria

Pelo menos 33 pessoas perderam a vida em novos ataques de militantes islâmicos no noroeste da Nigéria, num incidente que se seguiu a outro que vitimou 50 residentes. A violência tem vindo a intensificar-se, com grupos armados a aterrorizar comunidades e a roubar gado, apesar da cooperação de segurança entre a Nigéria e os Estados Unidos.

Novos Massacres e Vítimas Inocentes
Na quarta-feira, dia 18, a comunidade de Biu, no estado de Kebbi, foi palco de um ataque simultâneo que resultou na morte de 33 pessoas. O porta-voz da Polícia, Bashir Usman, confirmou que os agressores, supostamente militantes do grupo Lakurawa, atravessaram o estado de Sokoto, uma área onde este grupo rebelde tem forte presença. As investigações preliminares apontam para o roubo de gado como o principal motivo da investida.

Ainda na mesma semana, na quinta-feira, a aldeia de Dutsin Dan Aniya foi alvo de outro ataque brutal, ceifando a vida de 50 pessoas, incluindo mulheres e crianças. Um número indeterminado de residentes foi sequestrado. Attahiru Mohammed, secretário da Coligação da Sociedade Civil de Zamfara (ZASCON), revelou que o ataque ocorreu durante a noite e que os “bandidos” mantiveram as vítimas em cativeiro até às 2 da manhã, sem que as forças de segurança interviessem.
Apelo por Segurança e Contexto dos Conflitos
Testemunhas oculares descreveram cenas de terror, com cerca de 100 agressores em motocicletas a bloquear as entradas e saídas da aldeia, disparando indiscriminadamente contra os moradores. A ZASCON apelou ao Governo e às agências de segurança para que ajam com urgência e ponham fim a estes massacres. “Não podemos continuar à mercê de bandidos que atacam as nossas aldeias e comunidades à vontade”, sublinhou Mohammed.
O Lakurawa é um grupo armado ativo no noroeste da Nigéria, especialmente em comunidades do estado de Sokoto. São conhecidos por roubar gado, atacar aldeias e realizar sequestros para pedir resgate.
Cooperação Internacional para Combater a Insegurança
Face à crescente insegurança, a Nigéria tem reforçado a sua cooperação de segurança com os Estados Unidos da América. Recentemente, 100 soldados norte-americanos chegaram ao país para treinar as forças armadas nigerianas no combate a estes grupos armados.
Esta colaboração já tinha visto o Comando Militar dos EUA em África (Africom) anunciar, a 13 de fevereiro, o fornecimento de equipamento militar à Nigéria, após ataques aéreos conjuntos em dezembro contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI) no noroeste. É importante lembrar que o nordeste da Nigéria tem sido flagelado por ataques do Boko Haram desde 2009, e a situação agravou-se em 2016 com o surgimento do Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP), ambos buscando impor um regime islâmico no país.



