Governo promete cumprir com as recomendações do FMI para melhorar acesso a mecanismos de apoio

O Governo moçambicano reafirmou o seu compromisso em implementar as recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI), visando aprimorar a gestão, administração e transparência do país, e assim facilitar o acesso a mecanismos de apoio financeiro. Esta promessa surge num contexto de incertezas apontadas pelo próprio FMI sobre um novo empréstimo para Moçambique.

Desafios Macroenómicos e Preocupações do FMI
Recentemente, o FMI divulgou um relatório que destaca um ambiente macroeconómico desafiador em Moçambique, caracterizado por um crescimento abaixo do desejado, vulnerabilidades fiscais e de endividamento, e uma diminuição da ajuda externa. O documento, que resulta da última missão de avaliação da instituição, levanta dúvidas sobre a expectativa do Governo moçambicano de obter um novo empréstimo nos próximos tempos.

O relatório sublinha que o financiamento externo líquido tem sido negativo, o que contribuiu para uma redução estimada do défice orçamental para 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, comparado com 6,2% em 2024. Esta diminuição é atribuída principalmente à contenção das despesas públicas. Contudo, o FMI adverte que as actuais políticas macroeconómicas, nomeadamente os grandes défices fiscais e a necessidade de maior flexibilidade cambial, poderão agravar as vulnerabilidades existentes.
Resposta do Governo e Sinais de Progresso
Em resposta às preocupações, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, assegurou que estão em curso várias acções para organizar o país e melhorar o acesso a apoios internacionais. Impissa destacou que, apesar dos desafios, Moçambique tem feito progressos significativos na gestão e no reforço da transparência, citando como exemplo a saída do país da lista cinzenta, resultado de reformas implementadas ao longo de cerca de três anos.
O governante enfatizou a importância de reconhecer os esforços do Executivo para manter a performance governativa e garantir resultados mais consistentes nos próximos ciclos, especialmente na consolidação da gestão, disciplina administrativa e transparência.
Perspectivas Económicas e Contraponto do Ministério das Finanças
Embora o FMI preveja um crescimento económico modesto, impulsionado pelo sector mineiro, e uma inflação que poderá ultrapassar a meta de um dígito do Banco de Moçambique, o Governo, através do Ministério das Finanças, apresentou uma visão mais optimista. O Ministério desmentiu a conclusão de que o país enfrenta um ambiente macroeconómico complexo, embora admita o elevado nível de endividamento público.
Segundo o Ministério das Finanças, Moçambique está a consolidar os alicerces de uma economia moderna, diversificada e competitiva. As perspectivas económicas de médio prazo são consideradas “estruturalmente sólidas”, impulsionadas por reformas fiscais e medidas políticas para dinamizar o sector produtivo. Os projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL), que deverão gerar receitas substanciais a partir de 2030, são vistos como catalisadores cruciais para a transformação económica do país. A estabilidade macroeconómica, segundo o Governo, será assegurada por um programa de reformas alinhado com as prioridades nacionais.



