Fenómenos climáticos forçam a revisão do calendário escolar em Moçambique

O Ministério da Educação e Cultura (MINEC) está a ponderar uma alteração no calendário escolar nacional, uma medida que surge em resposta aos crescentes desafios impostos pelos fenómenos climáticos extremos que têm afetado Moçambique. O objetivo principal é minimizar os constrangimentos e garantir a continuidade das atividades letivas, mesmo durante a época chuvosa que frequentemente causa interrupções.

A Necessidade de Adaptação
Silvestre Dava, porta-voz do MINEC, confirmou que a discussão sobre a revisão do calendário escolar tem estado na mesa, impulsionada pelas intempéries que o país tem enfrentado. Esta ponderação foi já expressa pelo porta-voz do Governo quando anunciou o adiamento da abertura oficial do ano letivo, devido às fortes chuvas e inundações que assolaram, principalmente, as regiões Sul e Centro do país.

Para Dava, esta situação é uma prova clara de que uma intervenção definitiva no calendário escolar pode trazer benefícios significativos. A revisão permitiria ao setor da educação colmatar os efeitos diretos das catástrofes naturais, assegurando o cumprimento dos programas de ensino e do próprio cronograma das atividades pedagógicas, que são constantemente prejudicados.
Impacto dos Fenómenos Climáticos
Moçambique atravessa uma época chuvosa que se estende por seis meses, de Outubro a Março, período que coincide frequentemente com a ocorrência de tempestades tropicais e ciclones. Estes eventos têm provocado cheias e inundações devastadoras, resultando na perda de vidas – cerca de 230 pessoas desde Outubro de 2025 – e causando enormes prejuízos materiais e sociais.
A Organização Não-Governamental Save The Children alertou para o impacto severo na educação, estimando que mais de 230 mil crianças poderão perder o ano escolar devido a estas interrupções. A alteração do calendário surge, assim, como uma estratégia crucial para mitigar estas consequências e proteger o direito à educação dos alunos moçambicanos, garantindo que o ensino não seja mais uma vítima das mudanças climáticas.



