Ambiente

Holanda disponibiliza 25 milhões de euros para recuperação de rios atingidos pela poluição mineira em Manica

O Reino dos Países Baixos, conhecido como Holanda, vai disponibilizar 25 milhões de euros, o equivalente a cerca de 1,7 mil milhões de meticais, para ajudar a recuperar os rios da província de Manica, na região centro de Moçambique. Estes rios têm sido seriamente afetados pela poluição causada pela atividade mineira descontrolada.

Um Apoio Crucial para Manica

Este valor será entregue à Administração Regional de Águas do Centro (ARA-Centro), como parte do programa “Moz Water”. A notícia foi confirmada pela embaixadora neerlandesa em Moçambique, Elsbeth Akkerman, durante uma entrevista à Agência de Informação de Moçambique (AIM).

O anúncio chega num momento em que as autoridades moçambicanas confirmaram que a poluição dos rios de Manica já causou uma redução de cerca de 30% na produção agrícola da província. Esta situação tem um impacto direto e negativo nas comunidades locais, que dependem destes rios tanto para beber como para regar as suas culturas.

Apelo à Exploração Responsável

Durante uma visita ao rio Révue, a 9 de Dezembro, a embaixadora Elsbeth Akkerman alertou que a área já não pode ser usada para a agricultura devido aos estragos ambientais. Ela pediu que todas as entidades envolvidas trabalhem juntas para garantir que a mineração seja feita de forma responsável, evitando “danos ambientais irreversíveis”.

Apesar de tudo, Akkerman mostrou-se otimista sobre o futuro do acesso à água e da agricultura na região. Ela destacou a importância de um acordo recente entre a Comissão Ambiental Estratégica da Holanda e o Ministério da Agricultura, Pescas e Meio Ambiente de Moçambique, que busca fortalecer a gestão sustentável dos recursos naturais.

Resposta do Governo Moçambicano

Entretanto, o Governo moçambicano garantiu que está atento às empresas que insistem em continuar a exploração mineira em Manica, mesmo depois de todas as licenças terem sido suspensas. Foi criada uma comissão interministerial para rever as regras de licenciamento e reforçar a fiscalização.

Inocêncio Impissa, porta-voz do Conselho de Ministros, afirmou que “todas as entidades que forem encontradas a explorar ilegalmente serão punidas”. Ele garantiu que a prioridade do Governo é “assegurar o cumprimento das normas para evitar os danos ambientais que já se verificaram”.

A suspensão das licenças de mineração foi uma resposta a um relatório do comando operativo das Forças de Defesa e Segurança (FDS). Este relatório revelou uma “mineração descontrolada” por parte de operadores licenciados, com empresas a trabalhar sem planos de recuperação ambiental, sem sistemas para conter resíduos e, ainda, a desrespeitar os direitos dos trabalhadores.

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