Segurança

Supostos insurgentes cobram dinheiro para permitir passagem em estradas de Muidumbe

Grupos armados, identificados como supostos insurgentes, têm instalado barreiras de controlo em estradas do distrito de Muidumbe, na província de Cabo Delgado, cobrando valores monetários a condutores para permitir a passagem. A situação, confirmada pela agência Lusa neste sábado, tem gerado apreensão e alterado a dinâmica de circulação na região.

Testemunhas locais relatam que na passada sexta-feira, por exemplo, no troço da Estrada Nacional 380 (N380), entre Xitaxi e Chitunda, homens armados bloquearam a via e começaram a exigir dinheiro a cada viatura que pretendia transitar. Esta ação é descrita como uma espécie de “portagem clandestina”.

Uma das vítimas, que viajava em direção a Muidumbe, partilhou que foi abordada por um grupo que vasculhou os automóveis e exigiu o pagamento de 10 mil meticais por cada três passageiros. O grupo era numeroso e estava fortemente armado. “Vimos vários homens, pararam os carros e cobraram dinheiro. Pagámos para poder seguir viagem”, contou a testemunha, visivelmente afetada.

Informações recolhidas indicam que pelo menos 30 pessoas terão sido alvo destas cobranças forçadas. Em alguns casos, familiares tiveram de enviar o valor exigido para evitar retenções prolongadas ou, pior, possíveis raptos. Consequentemente, o fluxo de viaturas na região diminuiu consideravelmente, com muitos condutores a optarem por rotas alternativas ou a evitarem a área devido ao elevado risco.

Contexto da Violência e Expansão da Insurgência

Cabo Delgado tem sido palco de ataques armados desde outubro de 2017, com o primeiro incidente registado em Mocímboa da Praia. O conflito, atribuído ao grupo Estado Islâmico Moçambique (EIM), já causou mais de 6.341 mortos em pouco mais de oito anos, segundo dados divulgados pela organização ACLED e citados pela Lusa no final de novembro.

O relatório mais recente da ACLED aponta também para a movimentação de células do EIM para distritos vizinhos de Nampula, nomeadamente Eráti e Memba. Nestas zonas, entre o início e 21 de novembro, foram registados 13 ataques contra civis, resultando em pelo menos 21 mortes. Novembro assinalou o período de maior atividade do grupo em Nampula desde o início da insurgência, com 16 ataques em apenas três semanas.

A ACLED sugere que este padrão de incursões indica uma possível tentativa do EIM de reforçar a sua logística, estabelecer novas rotas de abastecimento e expandir a sua capacidade de recrutamento, alargando assim o seu raio de atuação para além de Cabo Delgado.

A situação em Muidumbe e nas províncias vizinhas permanece instável, e o número real de vítimas pode ser superior ao que tem sido inicialmente reportado. Até ao momento, não há confirmação oficial sobre operações em curso para desmantelar estes pontos de cobrança clandestina ou para garantir a segurança das estradas na região.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo
Fechar

Ops! AdBlock Detectado!

Desative o bloqueador de anúncios para continuar acessando o conteúdo do Portal Afroline. Agradecemos sua compreensão!