Sequestro de coordenador distrital leva Anamola a lançar ultimato de 72 horas

O partido Anamola acusou publicamente a Polícia da República de Moçambique (PRM) de raptar e agredir o seu coordenador distrital em Mogovolas, província de Nampula. A organização política lançou um ultimato de 72 horas para a libertação do dirigente, ameaçando paralisar a província com manifestações caso as exigências não sejam cumpridas.

Detalhes do Alegado Sequestro e Condições
A denúncia foi feita no sábado, durante uma conferência de imprensa liderada por Castro Niquina, coordenador provincial do Anamola. Segundo o partido, o dirigente foi levado da sua residência por volta da meia-noite e encaminhado para o Comando Provincial da PRM, onde se encontra detido sem qualquer comunicação oficial.

O Anamola afirma que o seu coordenador está em condições “degradantes”, privado de comida e água, e sujeito a maus-tratos físicos e psicológicos. “Estamos diante de um sequestro realizado pela própria polícia, sob ordens do comandante provincial”, declarou o porta-voz do partido, sugerindo que a corporação estaria a agir em defesa de interesses políticos do partido Frelimo.
Motivações Políticas e Contexto Judicial
O partido associa o incidente a uma recente marcha em Mogovolas, que reuniu centenas de jovens e coincidiu com uma visita do governador ao distrito. Para o Anamola, a forte adesão popular terá gerado “ciúmes políticos”, motivando esta ação repressiva.
Antes da sua detenção, o coordenador distrital tinha sido chamado a tribunal como denunciante, mas acabou por ser transformado em arguido e condenado ao pagamento de três salários mínimos. O Anamola considera este processo uma tentativa clara de silenciar a oposição. Após a decisão judicial, registaram-se protestos de jovens, o que levou a um reforço policial na área.
Ultimato e Ações Futuras
Na conferência de imprensa, o Anamola exigiu a libertação imediata e incondicional do seu dirigente. O ultimato é claro: se o coordenador não for apresentado com vida em 72 horas, o partido promete mobilizar jovens para ocupar as principais ruas e avenidas de Nampula, paralisando a província.
Além disso, o partido anunciou que irá processar a PRM e o seu comandante provincial por detenção ilegal e violação de direitos fundamentais. A organização critica a atuação da polícia, considerando-a contrária ao discurso de diálogo político promovido pelo Presidente da República, Daniel Chapo. “O regime fala em diálogo, mas recorre a sequestros e usa os tribunais como instrumentos de repressão”, acusou o dirigente, apontando para uma alegada articulação entre instituições do Estado para beneficiar uma minoria.
No final, o Anamola apelou à resistência dos seus membros e simpatizantes, garantindo que não irá recuar face à intimidação. “A repressão não vai apagar a voz que está a nascer no país”, concluiu o partido.



