Secretário-geral do ANAMOLA diz que Presidente deve “trabalhar mais e falar menos”

O secretário-geral do ANAMOLA, Messias Uarreno, marcou presença em Paris, França, onde, numa entrevista à Rádio França Internacional (RFI) e em encontros com entidades diplomáticas, fez uma análise crítica da política moçambicana. Na sua intervenção, Uarreno lançou um apelo direto ao Presidente da República, Daniel Chapo, afirmando que este deveria “trabalhar mais e falar menos” face aos desafios do país.

Os Desafios e Ambições de um Partido Jovem
Fundado em 2025 e liderado por Venâncio Mondlane, o ANAMOLA é um partido que se descreve como “jovem e de massas”, que reivindica a vitória nas eleições de 2024 e esteve no centro das manifestações pós-eleitorais. Messias Uarreno explicou que a sua visita a Paris visava fortalecer parcerias internacionais e consolidar a presença do partido a nível nacional, apesar das dificuldades financeiras e da necessidade de formação de quadros, dependendo de contribuições simbólicas dos membros e de apoios de simpatizantes.

Uarreno sublinhou que um dos maiores obstáculos é o “espaço político reduzido” devido à alegada partidarização das instituições estatais. A luta pela despartidarização é uma prioridade do ANAMOLA, que já está a preparar propostas de revisão legal para eliminar fragilidades eleitorais e a organizar-se para as autárquicas de 2028 e as gerais de 2029.
Críticas à Governação e ao Diálogo Inclusivo
O secretário-geral criticou a exclusão do ANAMOLA do diálogo inclusivo promovido pelo Governo, afirmando que o partido recolheu e entregou contribuições populares à COTE, e que ainda há tempo para corrigir essa falha. Adicionalmente, Uarreno rejeitou a justificação do Presidente Daniel Chapo de que os incidentes pós-eleitorais condicionaram o desempenho governamental.
Em vez disso, criticou os gastos em viagens oficiais, sugerindo que esses recursos poderiam ser melhor aplicados na saúde, educação e serviços básicos para a população. Foi neste contexto que reforçou a ideia de que “é tempo de o Presidente trabalhar mais e falar menos”, apelando a uma maior ação e menos retórica.
Situação em Cabo Delgado e a Dinâmica Interna do Partido
Sobre o terrorismo em Cabo Delgado, Uarreno lamentou as perdas humanas e defendeu uma gestão interna mais eficaz do problema, criticando o discurso governamental que insiste que a situação está controlada, ao mesmo tempo que o terrorismo se expande para Nampula. Relativamente à TotalEnergies, considerou legítimo o pedido da empresa por melhores condições de segurança, mas defendeu que os investimentos não devem ser paralisados.
Quanto à saída de alguns membros do ANAMOLA, especialmente em Cabo Delgado, Uarreno descreveu o fenómeno como normal em partidos em fase inicial, acusando adversários políticos de tentarem fragilizar a imagem do partido. Afirmou que muitos dos que saíram tinham expectativas pessoais e não divergências políticas profundas.
O Futuro Político e as Relações Internacionais
Os processos judiciais contra Venâncio Mondlane foram classificados por Uarreno como infundados, reiterando que o líder agiu no cumprimento do seu dever político ao mobilizar cidadãos. O partido está a investir na formação de novos quadros para garantir a continuidade da sua agenda. No campo das relações externas, o ANAMOLA mantém contactos com diversas forças políticas em Portugal, como o Chega, a Iniciativa Liberal e o PSD, buscando apoio para a democracia e para o acompanhamento de contestações eleitorais.
Ainda a definir a sua orientação ideológica oficial, o ANAMOLA foca-se, por agora, em encontrar soluções para as necessidades das famílias moçambicanas. Messias Uarreno concluiu a entrevista com votos de estabilidade internacional, continuidade de parcerias e esperança para as famílias moçambicanas em 2026, reafirmando o compromisso do partido com a verdade, a mudança e a melhoria das condições de vida no país.



