Sociedade

Quissanga e Pemba em Cabo Delgado reclamam exclusão dos programas de reconstrução

As comunidades dos distritos de Quissanga e Pemba, em Cabo Delgado, estão a levantar as suas vozes, denunciando uma preocupante exclusão dos programas de reconstrução que visam reabilitar a província após os ataques terroristas que a assolaram nos últimos anos. A insatisfação é palpável entre os residentes que se sentem esquecidos e marginalizados nos esforços para reerguer a região.

O Cenário Pós-Conflito em Cabo Delgado

Cabo Delgado tem sido palco de uma crise humanitária e de segurança sem precedentes, com milhares de pessoas deslocadas e infraestruturas destruídas. Perante este cenário devastador, foram lançados diversos programas de reconstrução e apoio humanitário, com o objetivo de restaurar a normalidade e proporcionar um futuro mais estável às populações afetadas.

No entanto, a implementação destes programas tem gerado controvérsia. Muitos dos esforços concentram-se em áreas específicas, deixando outras com pouca ou nenhuma intervenção. É neste contexto que Quissanga e Pemba, distritos que também sofreram com a violência, se sentem à margem dos benefícios.

Reclamações e Apelos por Inclusão

Os habitantes de Quissanga e Pemba relatam dificuldades no acesso a materiais de construção, apoio para o restabelecimento de meios de subsistência e até mesmo a serviços básicos. Eles questionam os critérios de seleção e a transparência na distribuição da ajuda, sentindo que as suas necessidades específicas não estão a ser devidamente consideradas.

“Nós também perdemos tudo, as nossas casas, as nossas machambas. Mas parece que a ajuda não chega até nós,” desabafa um morador de Quissanga, expressando um sentimento partilhado por muitos. Há um apelo veemente para que as autoridades e as organizações humanitárias revisitem as suas estratégias, garantindo que a reconstrução seja verdadeiramente inclusiva e chegue a todas as comunidades que dela necessitam, sem distinção.

A Importância da Reconstrução Abrangente

Especialistas em desenvolvimento e paz sublinham que uma reconstrução eficaz em Cabo Delgado deve ser abrangente e equitativa. A exclusão de certas comunidades pode, a longo prazo, exacerbar sentimentos de injustiça e marginalização, minando os esforços de pacificação e estabilidade. É fundamental que todos os moçambicanos de Cabo Delgado sintam que fazem parte da solução e que os seus direitos e necessidades são prioritários no processo de recuperação.

A voz de Quissanga e Pemba é um lembrete importante de que a reconstrução não é apenas sobre erguer edifícios, mas também sobre reconstruir a confiança e a esperança de toda uma população.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo
Fechar

Ops! AdBlock Detectado!

Desative o bloqueador de anúncios para continuar acessando o conteúdo do Portal Afroline. Agradecemos sua compreensão!