Parem de pensar que são donos de tudo

É um comportamento comum e prejudicial: ao alcançar uma posição de poder, alguns indivíduos passam a acreditar que são donos de tudo. Esta mentalidade ilusória faz esquecer o valor das pessoas à sua volta e a importância da interdependência para o crescimento coletivo.

As Consequências de Centralizar o Poder
Esta postura, muitas vezes enraizada na insegurança pessoal, corrói relações, impede o avanço de projetos e paralisa ambientes de trabalho. Líderes que se veem como absolutos tornam-se incapazes de liderar verdadeiramente, falhando em delegar e reconhecer o potencial alheio.

A centralização excessiva leva a um ambiente de “achismos”, onde decisões são monopolizadas, destruindo qualquer chance de crescimento sustentável. Nada floresce no isolamento; a tentativa de controlar tudo acaba por prejudicar a todos.
A Essência da Verdadeira Liderança
A verdadeira liderança, como ensinado em várias filosofias e até mesmo na Bíblia (João 14:12), não diminui quando é partilhada. Pelo contrário, fortalece-se. Um líder eficaz entende as diferenças da sua equipa e usa-as para construir uma base sólida, capaz de superar desafios.
Infelizmente, muitos gestores e figuras públicas acabam por destruir instituições e movimentos, convencidos de que detêm o controlo total. Liderar não é apenas ter “jeito”; é uma arte e uma ciência que exige humildade e a capacidade de capacitar os outros.
Moçambique e a Ilusão do Domínio
Em Moçambique, esta mentalidade contribui para o atraso. Discursos modernos, por vezes apoiados pela tecnologia e até pela Inteligência Artificial, são usados para distrair a população da realidade, enquanto os que governam mantêm-se passos à frente, perpetuando a ilusão de que todos estão no mesmo nível. Eles sentem-se, de facto, donos de tudo.
O caminho para o desenvolvimento passa pela partilha – de responsabilidades, de liderança e do próprio caminho. Nem o Criador, o único “Dono de Tudo”, retém o poder absoluto sobre as nossas escolhas, oferecendo-nos liberdade.
Enquanto ignorarmos esta verdade fundamental, o crescimento será difícil. Ninguém na Terra é dono de nada. Viemos e partiremos da mesma forma. A consciência da nossa transitoriedade deveria bastar para nos lembrar que, independentemente do poder que possamos julgar ter, não somos donos de coisa alguma. Reconhecer isto é o primeiro passo para um futuro mais equitativo, saudável e verdadeiramente coletivo.
