Educação

Áudios, vídeos e imagens: Kóxukhuro apresenta provas de corrupção no IFP

A organização da sociedade civil Kóxukhuro entregou, esta terça-feira, ao Gabinete Provincial de Combate à Corrupção um vasto conjunto de provas que apontam para um esquema de corrupção organizado no Instituto de Formação de Professores (IFP) da ADPP, em Nacala. As denúncias são graves e referem cobranças ilegais para a admissão, permanência nos cursos e até mesmo para a aprovação académica dos estudantes.

Denúncias e Investigação Minuciosa

Segundo Gamito dos Santos, diretor executivo da Kóxukhuro, esta participação criminal é o resultado de vários meses de uma investigação detalhada. A apuração começou em junho, após a organização receber inúmeras queixas de candidatos e estudantes. Uma equipa foi montada especificamente para verificar os relatos, confirmando a existência de práticas corruptas e contínuas dentro da instituição.

O responsável da Kóxukhuro explicou que as irregularidades incluem a exigência de pagamentos para garantir vagas de estudo, manter os alunos nos cursos e facilitar a sua aprovação nos exames. A organização defende que existe uma estrutura interna bem organizada, com funcionários do próprio IFP envolvidos na extorsão de dinheiro de candidatos e estudantes.

Provas Robustas Entregues às Autoridades

A Kóxukhuro informou ter entregue às autoridades um dispositivo eletrónico recheado de provas consideradas muito fortes. Este material inclui áudios, vídeos, imagens e outros registos que, segundo a organização, permitem identificar os principais envolvidos no esquema. Este conjunto de provas foi fornecido para ajudar na investigação e fundamentar possíveis acusações criminais.

Gamito dos Santos, questionado sobre a identidade dos suspeitos, disse que os nomes não serão revelados nesta fase, devido ao segredo de justiça. No entanto, indicou que os indícios apontam para o envolvimento de membros da instituição e que o esquema poderá ter ramificações em níveis superiores.

Valores Cobrados e Métodos de Extorsão

De acordo com a Kóxukhuro, os valores exigidos para garantir uma vaga de admissão variavam entre 50 mil e 70 mil meticais. Há casos de vítimas que, mesmo depois de pagar, não conseguiram a vaga, recebendo apenas a promessa de serem integradas no ano seguinte. A organização afirma ter registos que comprovam estas situações.

Além das cobranças para admissão, o esquema também incluía a facilitação fraudulenta durante os exames. Isto envolvia o uso de dispositivos eletrónicos escondidos e pagamentos adicionais, estimados entre 15 mil e 20 mil meticais, para permitir que os alunos acedessem às salas de prova com esses meios ilegais.

Apelo à Justiça e Credibilidade

A Kóxukhuro estima que cerca de dez funcionários do Instituto de Formação de Professores estejam diretamente envolvidos, mas não avançou com identidades. A organização apela a uma investigação rápida e aprofundada para apurar todas as responsabilidades, proteger o direito à educação dos jovens moçambicanos e restaurar a credibilidade da formação de professores em Nacala.

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