Educação

Mais de 50 mil alunos desistiram da escola em Memba e Eráti devido a ataques terroristas

Mais de 50 mil crianças e jovens dos distritos de Memba e Eráti, na província de Nampula, foram forçados a abandonar os estudos e não conseguiram concluir o ano letivo. A causa principal é a instabilidade provocada pelos ataques terroristas que assolaram a região, deixando um rasto de deslocados e interrupção na educação.

Impacto Direto da Insegurança na Educação

A situação de insegurança em Memba levou à fuga de milhares de famílias em busca de refúgio. Muitas destas famílias foram acolhidas no distrito vizinho de Eráti. Entre os deslocados, contam-se mais de 50 mil alunos que viram as suas vidas escolares interrompidas, uma vez que tiveram de deixar as suas aldeias e, consequentemente, as suas escolas.

William Tuzine, o diretor provincial de Educação em Nampula, revelou que, do total de cerca de dois milhões de alunos matriculados na província, uma fatia considerável não conseguiu terminar o ano letivo. Tuzine sublinhou que os números ainda estão a ser apurados e há a possibilidade de aumentarem.

Não foram apenas os alunos que sentiram o impacto. Muitos professores também deixaram os seus locais de trabalho, principalmente nas áreas mais afetadas de Memba. Em algumas localidades, como Lúrio, a situação é mais crítica, sem a presença de nenhum docente, pois muitos regressaram às suas terras de origem, conforme avançado pelo diretor provincial.

Exames Cancelados e Desafios na Avaliação

Devido à instabilidade persistente, o Governo viu-se na necessidade de cancelar os exames regulares nos distritos de Memba e Eráti. O setor da Educação está agora empenhado em localizar e identificar as novas moradas dos alunos deslocados para que possam realizar exames especiais. No entanto, a tarefa é complexa, e a dificuldade em encontrar todos os alunos está a atrasar o processo de avaliação.

Apesar dos desafios, há um sinal de esperança: algumas famílias que se tinham deslocado de Memba e estavam espalhadas por Nampula já estão a regressar às suas aldeias de origem. Esta movimentação é impulsionada pela melhoria gradual das condições de segurança na região, o que poderá, a longo prazo, permitir o regresso à normalidade também no setor educacional.

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