Sociedade

“Ele avisou que estava a ser ameaçado” — Activista some sem deixar rasto

A província de Nampula está em alerta com o desaparecimento de Sismo Eduardo Muchaiabande, um conhecido ativista social e defensor dos direitos humanos, que também apresenta o programa “Tribuna do Cidadão” na Rádio e Televisão Encontro. A Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos (RMDDH) já apresentou uma denúncia formal ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), pedindo esclarecimentos urgentes sobre o paradeiro do ativista.

Avisos de Ameaças e o Último Contacto

Segundo a RMDDH, Muchaiabande vinha a relatar ameaças de origem desconhecida nos dias que antecederam o seu desaparecimento. A última vez que a RMDDH conseguiu falar com ele foi na noite de domingo, 23 de novembro de 2025. Nessa conversa, o ativista expressou a sua intenção de se afastar de casa por um tempo, devido ao aumento das ameaças que estava a sofrer.

No dia seguinte, 24 de novembro, os telemóveis de Muchaiabande deixaram de dar sinal e permanecem desligados desde então. Esta situação, que o ativista não tinha previsto, deixou a família e a organização bastante preocupadas. Inicialmente, o núcleo da RMDDH em Nampula pensou que poderia ser uma estratégia de Muchaiabande para se proteger de possíveis perseguidores.

Agravamento da Situação e Pedido de Investigação

No entanto, a preocupação aumentou significativamente após sete dias sem qualquer contacto. Familiares e amigos voltaram a alertar a RMDDH, levantando a forte suspeita de que o caso pode ter contornos criminais, uma vez que ninguém conseguiu mais falar com Muchaiabande desde a segunda-feira a seguir ao seu desaparecimento.

Perante este cenário alarmante, a RMDDH decidiu agir e formalizar a denúncia junto ao SERNIC. A organização está a exigir uma investigação “célere e transparente” para descobrir o que aconteceu a Sismo Eduardo Muchaiabande e onde ele se encontra. Além disso, a RMDDH pediu às autoridades para manterem a organização informada sobre o progresso das investigações.

Autoridades Envolvidas

A carta de denúncia, datada de 3 de dezembro de 2025 e assinada pelo coordenador provincial, Gamito dos Santos Carlos, foi enviada não só ao SERNIC, mas também ao Gabinete do Governador, ao Gabinete do Secretário de Estado e à Procuradoria-Geral da República na província de Nampula. Todos estes documentos foram devidamente recebidos e carimbados pelas instituições competentes.

O caso está agora oficialmente nas mãos das autoridades de investigação criminal, que terão a tarefa de desvendar este mistério e trazer respostas sobre o paradeiro do ativista.

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