Energia

PCA do INP prevê replicação do modelo PSA noutros projectos de gás no País

Moçambique está a consolidar a sua posição no mapa energético global, com o Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleos (INP), Nazário Bangalane, a anunciar a intenção de replicar o modelo de processamento de gás natural noutros grandes projectos do país. Esta visão surge após a recente inauguração da primeira Fábrica Integrada de Processamento de Hidrocarbonetos em Temane, província de Inhambane.

Um Novo Papel para Moçambique no Gás

Em entrevista ao Evidências, Nazário Bangalane destacou que Moçambique assume agora um “papel extraordinário” no sector energético. O país, que durante muito tempo exportou gás natural em bruto, passa agora a ter a capacidade de o transformar em Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, diretamente em solo nacional.

“O país produz gás há muito tempo. Uma parte tem sido usada em Moçambique, e outra na África do Sul, na forma de gás, mas hoje, além de produzir e consumir gás, estamos a produzir GLP a partir deste mesmo gás. Isto representa um papel extraordinário para o nosso País”, explicou Bangalane, sublinhando a importância desta transição.

Replicação e Novas Descobertas

Questionado sobre a possibilidade de estender este modelo a outros empreendimentos, como os projectos multimilionários na bacia do Rovuma, liderados por gigantes como TotalEnergies, ExxonMobil e Eni, o PCA do INP foi categórico na sua resposta. “Com certeza, com certeza. Para além das três unidades que já temos, contamos descobrir mais reservas. Estamos a investir nesta fase, tanto aqui em Inhambane como noutras capacidades”, afirmou Bangalane.

O INP continua empenhado em programas de investigação e prospecção, com o objectivo de identificar novas reservas de gás natural, o que poderá abrir caminho para a implementação de mais projectos de processamento no futuro.

Confiança nos Parceiros e Impacto Económico

Bangalane expressou confiança na adesão dos consórcios internacionais a esta nova abordagem de processamento interno do gás. “Qualquer subproduto que comercialize gás natural representa também interesse para os nossos parceiros. Não há razão para não apoiarem esta iniciativa”, projectou, indicando que a agregação de valor beneficia a todos.

A fábrica de Temane, um investimento que ultrapassa os 600 milhões de dólares, tem uma capacidade de produção anual de cerca de 30 mil toneladas de GLP. Este volume é suficiente para reduzir para metade as importações de gás de cozinha de Moçambique, que actualmente custam entre 45 a 50 milhões de dólares por ano. A entrada em operação desta unidade é um passo estratégico crucial, alinhado com a visão governamental de transformar o país num hub regional e de valorizar os seus recursos naturais antes da exportação.

Este projecto, embora enquadrado no Contrato de Partilha de Produção de 2000 entre a Sasol, Moçambique e África do Sul, marca a primeira vez que a capacidade de transformação interna do gás natural moçambicano é concretizada. Com esta nova fábrica, Moçambique inicia um caminho que poderá levar, futuramente, à produção massiva de outros derivados de petróleo leve, como gasolina, gasóleo e naftas, fortalecendo a sua autonomia energética e potencialmente suprindo as necessidades da região.

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